O corte global no fornecimento, ontem, ponderado pelo grupo, é repartido por 6,670 milhões de barris de petróleo por dia entre os membros da OPEP, encabeçados pela Arábia Saudita, e 3,330 milhões para os não OPEP, dirigidos pela Rússia. Assim, na base dos cortes com referência a 2018, ano em que Angola exportava 1,528 milhões de barris de petróleo por dia, o novo corte corresponde a menos 344 mil barris dia. Porém, com base na produção actual, de 1,404 milhões de barris por dia, o corte real para Angola deverá corresponder a 218 mil barris.
Apesar dessa espontânea simulação, nada está decidido sobre a quantidade real do corte que cada um dos países membros da OPEP deve sofrer, a partir de 1 de Maio. Contudo, é provável que a quota de Angola venha a situar-se em 1.180 barris de petróleo por dia, na base das simulações a que tivemos acesso. Com base nestas perspectivas para os membros da OPEP, a Arábia Saudita, que em 2018 tinha como quota 11 milhões de barris de petróleo por dia, passará agora a injectar apenas 8,492 milhões de barris por dia. A Nigéria, o principal concorrente de Angola, com 1,829 milhões de barris dia, fica agora com 1,412 barris dia.
De realçar que a Arábia Saudita e a Rússia, deverão concorrer entre si em termos de quota de mercado, fornecendo, diariamente, ao mercado um total de 8,492 milhões de barris, cada um desses dois gigantes que, desde finais de Dezembro, colocaram em risco a estabilidade que o preço de petróleo verificava, há três anos.
Nos primeiros três meses deste ano, os contratos futuros caíram 66 por cento, desastrosamente no mesmo período em que apareceu na China, o principal comprador de petróleo do mundo, o novo coronavírus que continua a colocar em risco grande parte das economias, essencialmente aquelas cujas receitas mais dependem da produção e da estabilidade dos preços de petróleo.




